São Borja/RS: Estátua em homenagem à memória de Telmo de Lima Freitas

Na última semana, São Borja prestou justas homenagens à memória do poeta, cantor, compositor e policial federal Telmo de Lima Freitas. Reconhecido como uma das expressões mais icônicas e representativas da cultura do Rio Grande do Sul, Telmo era são-borjense e faleceu em 2021, aos 88 anos de idade. Na cidade, ele recebeu uma estátua, na Praça Tricentenário. Na ocasião da inauguração da estátua, o SINPEF/RS foi representado pelo policial federal Nereu Ávila do Nascimento.

Além disso, em programação organizada por familiares do artista, na sexta-feira, 15.04, as cinzas dos seus restos mortais foram lançadas nas águas do rio Uruguai. Após sete dias de viagem a partir de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, familiares e tradicionalistas conduziram suas cinzas em cavalgada pela BR 287, num percurso de em torno de 636,5 quilômetros até chegar à Fazenda Rincão de Santana, em São Borja.

Telmo de Lima Freitas é autor de clássicos inesquecíveis do cancioneiro gaúcho como Cantiga de Ronda, Esquilador, Prece ao Minuano e Baile de Rancho. Em 2009, foi o patrono da Semana Farroupilha, com presença sempre destacada no Piquete 38, da Polícia Federal, do qual foi um dos maiores inspiradores e incentivadores, e cujo galpão, na APOFESUL, recebeu o seu nome: “Galpão Telmo de Lima Freitas”.

Além de se eternizar por sua obra, como figura de destaque na produção e divulgação da cultura gaúcha, deixou saudades na família policial federal por sua “alma galponeira”, agregando sempre, com alegria, disposição e sabedoria, amigos, colegas e artistas.

 

 

TRIBUTO A TELMO DE LIMA FREITAS

 

Tio Telmo, que entre nós,

Colegas de profissão, gentil, parceiro e amigo

Um Grande profissional que no APARTE desta vida nos deixou

Enrodilhados num ALAMBRADO DE CORDAS que numa NESGA DA NOITE

Escreveu RANCHO SAUDADE, para que um dia pudesse

Ter a CIRANDA DO AMOR e com a prenda receber a visita do TIO FREU.

JOÃO BILUCA, TIO PENHA, VELHO JOÃO, todos eles reunidos

Lembrando o TEMPO DE PRAÇA e dos tempos de ESQUILADOR.

Todos da TERCEIRA IDADE! Lembranças de quando

Num GRITO COSTEIRO, dizia: MARCHA TROPEIRO

Que num CARTEIO DA VIDA, junto com o TIO ANDRÉ,

Fazia sua PATACOADA e ENCURTANDO DISTÂNCIAS

Sobre o lombo do CAVALO e com a CAPA GAÚCHA,

Ele dizia: PRETO VELHO CELESTINO,

Que era O LAVRADOR dos campos da solidão,

Saio amanhã de MEU RANCHO

Junto à ESTRELA BOIEIRA, com meu traje de FARRAPO

Embora as duras PENAS, vejo minha ROSA DA VIDA,

Na saudade da VERTENTE CORAÇÃO, na CIRANDA DO AMANHÃ.

E com suas POESIAS fazia o CHAMAMENTO CAMPEIRO

Para numa EVOCAÇÃO de um ANDEJO CAMINHAR,

Com os CAVALOS que tinha, neste foi no BRAGADO ao VELÓRIO DE CRUZ

Que UM DOMINGO DE RESVALO, deixou as LIDAS CAMPEIRAS

Um PEÃO DE MALA SUERTE, índio de VENTA RASGADA

Na DEFESA FARROUPILHA, se foi MANECÃO DO MUNDO,

É MAIS OU MENOS ASSIM.

Já de RETORNO ao rancho comprou carne no AÇOUGUEIRO,

Para no FOGÃO À LENHA, EMBALSANDO LEMBRANÇAS

De uma MENINA SERRANA. Com sua ALMA GAÚCHA,

Qual um CABRA DO NORDESTE, mas não tendo A MESMA FUÇA,

São de regiões diferentes.

Contava que o índio CIRO GAVIÃO, gostava de UM BAILE DE RANCHO,

De contar muitas histórias sobre o RIO PARANÁ.

Pacholeando pelos pagos no seu belo FLETE MOURO,

Cruzava A LINHA A VIDA pra visitar de SURPRESA

O velho DINARTE COSTA para prosear mais um pouquinho

Sobre o tal SANTO TROPEIRO.

Como O RASTREADOR de LEMBRANÇAS pescava na VELHA SANGA

Toreando a NEGA FORMIGA pra com o TARECO brincar,

Convidou o PEDRO QUEBRA e também ZECA BIGODE,

E mais o ANDREZITO, para DEFUMANDO AUSÊNCIAS

Lembrar do GOIAS ANTIGO que num bom BARCO PESQUEIRO

Levaram de companhia a RAPADUREIRA MENINA

Para na TROPA DA VIDA refletir sobre o passado.

Já na CANÇÃO DO TROPEIRO foi numa MARCHA BATIDA

Orar no seu PAGO SANTO, para o ONEYDE BERTUSSI.

Pediu para o TIO MANDUCA, para o AMBRÓSIO DE MELO

Queras que na era deles, eram MAL ACOSTUMADOS

Em algumas RECULUTAS buscarem JAGUARETÊS

Para com o couro taparem os furos das barcaças de índios

Mui PIRAGUEIROS depois voltaram a VELHA QUERÊNCIA

Pra encontrarem o bandido do ROUBO DA GAITA VELHA.

E com a ALMA DE GALPÃO, sorrateiro e ardiloso,

Pegou a MORENA ROSA, junto com a SIÁ TITA,

Achando que ainda tinha o mesmo GARBO DE PIÁ,

Para num PEGA DE POTRO chegarem bem cedinho

No BOLICHO DO TIO CANDINHO e se atracarem por trago

No velho TRUCO DE MANO.

Lá chegando encontraram o parceiro CATCHO CUNHA,

Mas antes de começarem, ajoelhados ao chão

Fizeram PRECE AO MINUANO que batia no oitão.

O bolicho que ficava à margem do RIO AMIGO,

Pois eram gaudério inteiro e não um GAUDÉRIO E MEIO.

O tio Telmo que cantava com gosto a PRENDA MINHA,

E num bueno FAZ DE CONTA, pra ficar despercebido

Ficou DE PÉ NO ESTRIBO quieto RUMINANDO PENAS,

Disfarçado só pensando na PRIMAVERA DE SONHOS,

Que quando CEVANDO MATE, numa CANTIGA DE RONDA

Na sua “naturaleza” de peão dos bons campeiros chamavam-no

GAUDÉRIO DA SILVA más com sensibilidade chorava no

CANTO DO ENTARDECER e suas lagrimas jorravam

Um transbordo de AGUATEIRO.

E agora no final, num resto de uma GAITADA, tendo num RESTO DE BAILE,

No arrebol com VENTO NORTE, fez uma bela SERENATA,

Pra MENINA LAVADEIRA, que fez parte na memória da sua LINHA DA VIDA.

De bugio sabia tudo fez até RONCO DO BRONCO,

E como uma PIPA D’AGUA que quebrou,

Esvaziou-se, saiu assim de mansinho,

Foi pro céu cantar por lá, quiçá ensinar a Deus uns versos

Melodiosos de seu naipe de andejo.

 

Por: Nereu Ávila do Nascimento

 

 

 

 

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