Poucos funcionários e postos fechados colocam em risco as fronteiras gaúchas

 

Falta de efetivo é o principal problema nas fronteiras do RS

Falta de efetivo é o principal problema nas fronteiras do RS

A falta de fiscalização põe em risco as fronteiras gaúchas. Com postos fechados e poucos funcionários, as estradas gaúchas da região evidenciam a facilidade de circular entre um país e outro.

Em Quaraí, cidade localizada na fronteira do Brasil com Artigas, no Uruguai, o fluxo de veículos e pessoas é praticamente livre. No posto de fiscalização, apenas dois plantonistas acumulam funções: além da emissão da entrada e saída de turistas, eles ainda têm tarefas de polícia administrativa, como emissão de certidões de antecedentes criminais e confecção de carteira de estrangeiros.

Um policial, que pede para não ser identificado, confirma a situação. “A gente tem uma defasagem tanto em quantidade de efetivo, que estaria lotada, nas delegacias de fronteira, quanto também ao que se refere à rotatividade do pessoal”, disse à reportagem da RBS TV.

Em São Borja, a situação é semelhante. Na fronteira do município com Santo Tomé, cidade da Argentina, os policiais contam que trabalham desarmados e sem poder de polícia. A Delegacia da Polícia Federal, que poderia ser um reforço, fica a 10 quilômetros. E eles também reclamaram da falta de efetivo para combater o tráfico de drogas e armas que cruzam a fronteira.

“A Argentina acabou virando um corredor de passagem da maconha, da cocaína, das armas e das munições do Paraguai e da Bolívia”, diz um policial do local, que também não será identificado.

Já em Uruguaiana, cerca de 1 mil carros cruzam a ponte internacional, muitos dos quais não passam pela fiscalização.

A situação é pior na Região Noroeste da fronteira, onde portos informais funcionam normalmente sem qualquer fiscalização. Isso porque, por falta de recursos, há quatro anos a polícia resolveu tirar os funcionários do posto de fiscalização entre o Porto Vera Cruz e Panambi na Argentina.

E na aduana em Porto Vera Cruz, o cenário encontrado foi de salas abandonadas e estrutura prejudicada.

O delegado regional de combate ao crime organizado da Polícia Federal, Sérgio Busato, informa que o foco do trabalho na fronteira é na área de inteligência, tecnologia, conhecimento e capacitação. “A gente tem essas delegacias estratégicas de fronteira, que fazem trabalhos regionais e às vezes nacionais”.

Ele afirmou que, na superintendência, há áreas especializadas, como combate ao tráfico de drogas, de armas, ao contrabando, que atua contra o crime organizado. “Essa tem sido a estratégia para atuação de polícia judiciária, de investigação em cima dos grupos criminosos que usam a rota do Rio Grande do Sul para traficar armas, bebidas, drogas e esse tipo de produto ilícito”.

Posto está com as janelas quebradas e completamente abandonado (Foto: Reprodução/RBS TV)Posto está com as janelas quebradas e completamente abandonado (Foto: Reprodução/RBS TV)

Posto está com as janelas quebradas e completamente abandonado (Foto: Reprodução/RBS TV)

Reforço da Brigada e do exército para fiscalização

Sem o trabalho da Polícia Federal, é a Brigada Militar que entra em ação. Na região de Santa Rosa, os policiais apreenderam R$ 4 milhões em produtos contrabandeados na Região Norte, em um ano. “Praticamente a cada mil metros existe um pequeno porto informal que dá acesso para embarcações e através dos quais os contrabandistas fazem a entrada e saída de marcadorias”, explica o capitão da Brigada, Vinícius Karnikowski.

O exército também reforça o combate ao crime. Uma operação realizada recentemente com a ajuda de 300 militares realizou 6 mil abordagens, segundo o general de exército Edison Leal Pujol.

“A gente consegue aumentar o número de apreensões, de ter material ilícito, mas isso não é o nosso principal objetivo, as vezes até o fato de impedir, de que nesse período que nós estamos trabalhando, diminua a entrada de material ilícito no nosso território, já é um ganho”.

Pujol destaca que a falta de estrutura e investimentos são os principais fatores para fragilidade nas fronteiras. “Se nós tivéssemos capacidade, nós e os nossos órgãos que estão envolvidos tivessem efetivo, equipamento, tivessem disponibilidade orçamentária de aumentar o número de vezes e o período de atuação certamente os resultados seriam maiores”.

Fonte: G1

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