Os efeitos pós-greve da Policia Federal – Por: João Arruda
Postado em 28/01/2013.
O ano de 2012 foi timbrado como marco dentro da Policia Federal em virtude da maior greve realizada dentro da instituição, fato charmosamente apelidado de “A Primavera EPA’s”, sigla que une os cargos dos escrivães, papiloscopistas e agentes da Policia Federal, em alusão a quebra de valores sociais adotados através de manifestos, protestos e reivindicações pró-democratas no mundo árabe.
A maior greve da história da Policia Federal possuiu um estigma totalmente privado, isto porque houve um rompimento explícito dentro da Policia Federal, mais precisamente entre os EPA’s e os delegados de Policia Federal, que durante a greve estes demonstraram que não apoiavam o pleito por melhores condições de salário e trabalho dignos, pleiteados pelos policiais e que, além de não apoiar a causa da maioria, uniu forças junto com o Governo Federal para a não concessão das merecidas reivindicações, mais que dignas, por aqueles que realmente fazem a Policia Federal funcionar, algo que não é novidade para ninguém.
A maior aspiração dos EPA’s é o reconhecimento de suas funções, uma espécie de “divisão mais justa do bolo”. Uma de suas maiores alegações é a de que bacharel em direito, curso exclusivo para quem quer ascender ao cargo de delegado, não pode gerir recursos humanos, operações táticas, coordenar setores de logística, aviação, fronteira, armas, comunicação social etc, uma vez que essas funções em nada têm a ver com bacharéis em direito e sim com aqueles que possuem cursos afins, para fins específicos, o que na prática gera uma desmotivação generalizada e a perda do controle geral.
O grande problema vivido hoje pelos delegados de Policia Federal é tentar segurar, com unhas e dentes e a qualquer custo, custe o que custar, o falido e desprezado inquérito policial. Famoso elefante branco, como o trata as verdadeiras partes do processo, quais sejam: magistrados, membros do Ministério Público e advogados. Não conseguem dormir com a ideia do poder de investigação do MP, se esquecendo do jargão de “quem pode o mais, pode o menos”.
Ocorre que com a falta de sensatez dos dirigentes da Policia Federal quem paga o “pato” é o povo, que sofre com a falta de gerenciamento, por incompetência absoluta de pessoas sem capacitação, que exercem cargos de chefia sem o devido gabarito. Prova mais cabal se enxerga quando o Exército Brasileiro, que possui em seus quadros comandantes com capacitação técnica para exercerem suas atividades fim, assumiu o comando dos grandes eventos, antes da PF, tais como Copa do Mundo e Olimpíadas, que terão como palcos principais as belas e desgovernadas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Isso se o traficante do morro e o PCC autorizarem, claro.
Há que se lembrar que reprimir o tráfico de drogas que toma conta não só dessas capitais, mas de todo o Brasil, é de competência da Policia Federal. Pelo menos, nunca houve registros de plantação de coca lá no Leste brasileiro, fato que se fosse possível passaria a competência para combater esse tipo de delito às demais policias estaduais. A droga entra com facilidade pela fronteira, seja por terra ou pelo ar, sem medo de ser feliz, e a atual PF fica fazendo sabe-se lá o que.
O autoritarismo é tanto que qualquer forma de pensar, contrariar ou subverter a ordem neo-aristocrata é motivo mais que suficiente para demonstração do pseudo-poder autoritário, que explana através de perseguições e PAD’s, famosos processos administrativos disciplinares, que brotam como furúnculos aqui e acolá, ignorando os verdadeiros poderes constituídos num Estado democrático de direito.
Atualmente, é inconcebível para os delegados a diminuição do pseudo-poder, nem que para isso toda a sociedade seja refém da vaidade neo-aristocrata. Tentam enganar a população com uma policia inventada e enfiada goela abaixo, tendo em vista que durante muito tempo a Força Nacional era coordenada pela PF, rasgando a Constituição Federal. Como se não bastasse o empastelamento dos princípios da administração, se é que já existiram dentro da PF, pois nunca foi publicada uma nota sequer de apreensão de droga que justificasse o derrame de dinheiro público durante o período sabujo.
Nunca se viu chover, ou nevar, tanta pasta-base, como nos últimos meses. Faz muito tempo que este velho repórter não lê uma nota, um aviso, um chamado, uma publicação… de qualquer droga apreendida nos últimos seis meses. A última matéria publicada pela PF do Oeste do Mato Grosso foi em julho de 2012, antes da greve, registre-se, estampando a apreensão de 1 (uma) tonelada de pasta base no primeiro semestre daquele ano.
Em contrapartida, no segundo semestre, pós-greve, nada foi apreendido. Dia desses um fazendeiro tradicional de Cáceres, com sotaque arrastado, revelou numa casa veterinária que seus peões estão dispensando o “panamá” chapéu, em troca de capacetes, com tantas rapaduras de pasta-base descendo do firmamento. Outro pecuarista, cuja propriedade se situa na região da Porteira Preta, emendou dizendo que nas noites e madrugadas barulho de motor de motocicletas possantes cruzam a linha divisória de Cáceres com a Bolívia, num ziguezague infernal.
Esperamos mais sensatez nesse início de 2013, pois, se continuar assim, é melhor ir viver na Bolívia. Isto é se algum delegado com nome homenageando fora da lei norte-americano não resolver intimar este bugre pantaneiro, mais uma vez querendo rasgar a Constituição Federal, que garante aos jornalistas sigilo de fonte no exercício de suas funções.
É chegada a hora de utilizar a da ferramenta mais eficiente que chama “inteligência”. Hoje a PF forma brutamontes, esquecem que nem sempre tamanho é documento. Na maioria das vezes, desprezam os franzinos, os baixinhos, a titulo de formar agentes como fossem os doidos dos pára-quedistas ou fuzileiros navais. Tem agente “bombado” nesta PF que não sabe, por exemplo, onde ficam os bairros e lugarejos “Cachorro Sentado”; “7 Porcos”; “Quebra Pau”; “Buraco Doce” ou “Buraco do Soldado”, só para exemplificar.
Tem mais a Policia Federal que se estampa com pompas o slogan “Policia Federal, orgulho do Brasil”. Não resta menor duvida que é composta em sua maioria por excelentes quadros, que a faz merecer essa distinção. Todavia, em Cáceres, uma das principais rotas do tráfico, tomou um calote de milhões de reais, aplicado por golpistas que simularam a construção da nova sede da PF. A empresa era fantasma e os sócios deram como garantia uma escritura falsa em terras indígenas. Até hoje, os delegados e responsáveis pela fiscalização sequer sabem aonde a “bola” entrou.
João Arruda é repórter em Cáceres (MT).
Fonte: Diário de Cáceres