O dia seguinte, ou, o DAY AFTER… – Por: Valacir Gonçalves

O futebol faz parte da minha vida mais do que eu gostaria, sinto “crise de abstinência” quando tento me afastar… Depois de uma tragédia como a de ontem, até amizades (ou pseudas) ficam estremecidas, mas tenho certeza de que amigos de verdade sabem que é apenas um jogo, nada mais do que um jogo.

Quando o Grêmio participa de decisões meu dia começa diferente… Preciso explicar por que me preocupo com algo tão supérfluo, que alguns dizem ser a coisa mais importante entre as menos importantes… Talvez seja influência da terra natal, pois o Rio Grande do Sul é marcado por um dualismo trágico levado às últimas consequências em todas as atividades, não existe meio termo… Começou com os ximangos e maragatos, inimigos políticos com uma característica marcante: a de utilizar a bárbara degola como algo rotineiro…

Embora a vontade seja imensa, hoje ninguém degola adversário, mas a “guerra” continua: o vermelho petista contra o restante, até chegar à rivalidade que envolve o vermelho e o azul do Grêmio e do Internacional. O dia seguinte é terrível no Rio Grande para quem não está festejando. Eu adoto uma tática: não escuto rádio, não leio jornal, não olho televisão – esqueço que existe um esporte chamado futebol. Ou melhor, quase esqueço, porque “eles” impedem que isso aconteça, meu celular fica entupido de torpedos lembrando que o futebol não acabou…

Quando o tricolor imortal joga uma decisão, prefiro não olhar. Procuro um cinema, desligo do mundo e do celular… Fico o tempo necessário para o jogo acabar. Quando o filme chega ao fim, saio cabreiro, olhando para os lados, vendo qual a cor da camisa que está fazendo festa… Se a cor for azul, tudo volta ao normal – vou correndo para casa escutar todos os comentários e olhar televisão até o último programa esportivo…

Ontem ao sair do cinema não foi preciso esperar para ver qual a camisa estava fazendo festa, o celular já gritava com chamadas mais desesperadas que eu para “avisar” que o Grêmio foi goleado, humilhado, surrado, e por aí afora… Só li o começo de cada mensagem: as que vieram com as flautas que fazem parte do mundo do futebol li numa boa, pois se o Imortal tivesse vencido certamente eu estaria fazendo a mesma coisa, ligando pra tripudiar também…

Felizmente no fim da noite só “degolei” um desafeto. Flamenguista, morador do Rio de Janeiro confundiu esporte com vida, luta com briga, adversário com inimigo. Risquei o cara da minha agenda e da minha vida mesmo com toda a maravilhosa sensatez de minha esposa, que insistia em repetir que eu devia deixar pra lá, não dar importância – até tentei, mas não consegui, escolhi os mais terríveis palavrões antes de cometer o “crime”…

Agora, ainda nocauteado, só me resta parabenizar os torcedores do Flamengo e seus aliados do norte/nordeste também vencedores… O grande Flamengo formou um grande time, está no caminho para um dia – talvez – conseguir tomar o posto do Imortal Grêmio, ainda o clube mais vitorioso da história da Copa Libertadores. Meu consolo é de que se isso acontecer, não estarei mais aqui, a distância é muito grande – vai demorar muito…

Encerrando digo que a única mudança de cenário pra mim fica por conta da revelação que uma cigana me fez: ela disse que no ano que vem estaremos disputando a Libertadores como fazemos (quase) todos os anos – tudo voltará ao normal, pois tudo passa, tudo recomeça. Ontem foi o “nosso 7×1”, da mesma forma que a seleção brasileira o Imortal estará de volta, ressurgiremos das cinzas.

Ainda bem que o Grêmio é imortal, nós sabemos o significado dessa palavra, os outros tentam…

Amém!

 

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