Meu agradecimento ao Senhor Fábio Koff

Uma semana após a inauguração da Arena do Grêmio, o Senhor Fábio Koff, recém-eleito presidente do Clube, concedeu uma entrevista estranha. Sócio gremista migrado para a Arena, agradeço por ele ter tornado pública sua posição. Mesmo assim, é difícil entender ele dizer que “foi o primeiro a falar que o Grêmio deveria partir para um estádio de multiuso, que o Olímpico dava prejuízo”, e agora dizer que “A Arena não é nossa”. “Vamos demorar 20 anos pagando”. “Não tem ninguém com essa dívida entre os clubes brasileiros”. “Se fosse tão fácil, os outros fariam. Não fizeram”.

A entrevista ficou incompleta. Ele não explicou por que lutou para voltar à presidência de um clube com tantos problemas. Por que deixou correr a notícia de que tinha o nome de um craque num cofre para contratar caso vencesse a eleição. Agora diz que “temos que evitar que a Arena se elitize”. Alguém precisa avisá-lo de que o futebol romântico foi embora, levando junto o futebol barato. Que o futebol é um show caro, onde jogadores com nome em cofres só assinam contratos em troca de quantias milionárias. Que o dinheiro sai de imensos quadros sociais, de direitos de televisão, patrocínios másteres, exploração da marca em produtos de terceiros, e por aí afora. Presidentes de clubes devem saber que é trabalho deles manter esse equilíbrio.

Na mesma entrevista, enfatiza que “foi à inauguração da Arena e que deveria ter obras terminando o entorno no bairro Humaitá” – como se a diretoria que comandou a construção tivesse ingerência nas obras viárias de Porto Alegre. Completa dizendo que “o complexo imobiliário que está sendo construído pela OAS não é do Grêmio, nem o do Olímpico será”. Que descoberta! Se fosse, seria o negócio do século. O Grêmio ganharia um estádio milionário acompanhado de centenas de apartamentos para vender ou alugar… Constrangido, digo que seus respeitáveis oitenta e dois anos não lhe dão o direito de ostentar tanta ingenuidade.

Quando diz que uma obra como a da Arena é inviável, será que não passa pela cabeça dele que está fazendo uma afirmação temerária? Que esse tipo de afirmação lança dúvida na cabeça de milhares de gremistas e possíveis investidores? Que eles pensarão bastante antes de pagar os lugares reservados na nova sede e em negócios paralelos? Quero lembrar ao Senhor Fabio Koff que sua entrevista foi um soco no estômago de milhares de gremistas, razão da existência do Clube. Para ele, isso não é levado em conta. Para ele, só interessa o troco que precisa dar em quem foi contra a política exercida por ele no cadáver ainda insepulto chamado “Clube dos Treze”.

Lembro ao Senhor Koff, que um homem com a experiência acumulada por ele, que afirma “já ter assumido o Grêmio em piores condições”, deveria aproveitar essa experiência para atingir objetivos ainda maiores. Infelizmente, não é o que parece, ele não conseguiu entender que o futebol mudou. O longo tempo que permaneceu no milionário Clube insepulto deve ter contribuído para que ele esquecesse que pessoas e entidades podem adquirir bens pagando em vinte anos.

Sua atitude não é surpresa para mim. Quando pediu meu voto na recente eleição, respondi que não votaria nele, pois não entendi sua ausência na “Batalha dos Aflitos”. Mesmo sem ser surpresa, sua entrevista conseguiu destruir minha alegria, quase matou o meu sonho. Peço que ele entenda finalmente que o Grêmio é bem maior do que ele, e não o contrário. Que se não estiver convencido de que tem competência para dirigir o Imortal Tricolor, deixe a tarefa para quem estiver. Pare de dar argumentos aos nossos adversários. Gols contra é a última coisa que precisamos.

 

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