Medo do coronavírus – Por: Valacir M. Gonçalves

Um amigo comentou comigo, numa conversa que tivemos, o que disse a escritora Isabel Allende quando instada a falar sobre o medo da morte que causa o onipresente coronavírus. Ela contou que desde que a sua filha Paula morreu, há 27 anos, perdeu o medo para sempre.

Ela disse: “eu pertenço à população mais vulnerável, as pessoas mais velhas, tenho 77 anos e sei que se me contagio posso morrer. Então a possibilidade de morte se apresenta muito clara para mim neste momento, eu a vejo com curiosidade e sem medo”.

Disse também: “percebi em algum momento que você vem ao mundo para perder tudo. Quanto mais você vive, mais perde. Você vai perdendo seus pais primeiro, pessoas às vezes muito queridas ao seu redor, seus animais de estimação, lugares e suas próprias faculdades também. Não se pode viver com medo, porque te faz imaginar o que ainda não aconteceu e sofre o dobro”, concluiu.

Quanto a mim, convivo bem com o tempo, com minha história. O onipresente coronavírus mencionado pela escritora precisa ser enfrentado, sei disso – certamente existem horas que também sinto medo; noutras, me convenço de que a vida me tratou bem.

Como ela, também perdi coisas que amava muito, mas momentos felizes aconteceram e ainda aparecem para me convencerem de que continua valendo a pena viver.

Certamente não quero morrer, mas o ensinamento eterno continua atual: “a morte não é a maior perda da vida, a maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”.

Amém!

 

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