Mais vale a versão do que o fato na discussão entre a imagem da PF e a dura realidade Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

No Brasil, via de regra, prende-se antes para investigar depois. Uma cultura forjada na burocracia cartorária imposta às polícias judiciárias, sejam elas Civil ou Federal, somando-se à gritante falta de efetivo.

Dados da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) revelam que somente 4% de todos os procedimentos instaurados pela PF no território nacional resultam em efetiva denúncia do Ministério Público Federal à Justiça. Se formos analisar as condenações, cai para míseros 2%. Comparado aos norte-americano os números são de ruborizar. Lá, este mesmo percentual do FBI chega a 82%. Nos vizinhos Paraguai e Argentina giram em torno de 60%.

Para o presidente da Fenapef, Luís Antonio Boudens, esta radiografia só não é pior exatamente por conta da Lava-Jato, que inaugurou um modelo de investigação multidisciplinar e integrada, sem tantos carimbos e ofícios.

“Hoje a Polícia Federal trabalha com 11,6 mil homens na ativa, sendo que 45% estão absorvidos por funções mais burocráticas ou fiscalização de fronteiras, portos, aeroportos, elaboração de passaportes e portes de arma. E os 65% que vão para a investigação precisam fazer escolhas diante dos milhares de inquéritos que se acumulam nos escaninhos”, diz.

Na prática, operações midiáticas são fundamentais para maquiar a verdadeira realidade da estrutura oferecida aos agentes públicos da PF, a exemplo do sucateamento de todas as forças de segurança pública no país. “Isso prova que o nosso modelo de polícia no Brasil está falido e precisa ser revisto com urgência”, comenta Anderson Amorim, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Catarina e diretor da Organização Internacional das Entidades Policiais dos Países da Língua Portuguesa.

Ou seja, na discussão entre a expectativa gerada sobre a imagem da PF e a dura realidade, vence a tese de que mais vale a versão do que os fatos. Afinal, somos todos reféns de velha e boa vaidade.

Enquanto isso
A morte do reitor Luiz Carlos Cancellier segue repercutindo nacional e até internacionalmente. Nas redes sociais, por exemplo, já surge um movimento para batizar de Lei Cancellier a legislação que tramita no Congresso Nacional Contra o Abuso de Autoridade.

Aliás

O trailer Polícia Federal, a Lei é Para todos foi lançado há exatamente um mês com a expectativa de arrastar multidões às salas de cinema. O resultado ficou muito aquém do que sonharam produtores, diretores e personagens.

Cidade Universitária
Luiz Carlos Cancellier foi alçado ao cargo de reitor pelo voto direto da comunidade da UFSC, professores, alunos e funcionários. Venceu por uma margem apertada: 47,42% contra 46,06% em 2016. Se fosse considerado somente o número de eleitores aptos a votar, 39 mil pessoas, a UFSC seria o 24o maior colégio eleitoral do Estado, na lista dos 295 municípios.

 

Fonte: CLICRBS