Futebol: o dia seguinte…

O futebol faz parte da minha vida mais do que eu gostaria, é quase um vício, sinto “crise de abstinência” quando tento me afastar… Até amizades ficam estremecidas, mas tenho certeza de que amigos de verdade sabem que é apenas um jogo, nada mais do que um jogo. Quando o Grêmio participa de uma decisão, meu dia começa diferente… Preciso explicar por que me preocupo com algo tão supérfluo, que alguns dizem ser a coisa mais importante entre as menos importantes… Talvez seja influência da terra natal, pois o Rio Grande é marcado por um dualismo trágico levado às últimas consequências em todas as atividades, não existe meio termo…

Na “guerra” do futebol as cores tradicionais são usadas desde a maternidade. Quando visitamos um recém-nascido, muitas vezes uma pequena camiseta pregada na porta do quarto já nos informa para quem o indefeso bebê “escolheu” ser torcedor para o resto da vida… Todos sabem que o futebol, embora seja apenas um esporte, se diferencia de outras paixões. É fácil explicar: já vi gente trocar de amor, de partido político, e até de religião, mas a escolha do clube preferido é para sempre.

Ontem o futebol me fez passar por uma das suas – mais uma decisão. Quem passaria para a final de mais uma Copa do Brasil – o Grêmio foi derrotado na cobrança dos pênaltis. Quando acabou o jogo, o foguetório em Porto Alegre foi grande, pois o “povo vermelho” continua inconformado depois que acreditaram num mantra baseado na tese de que “clube grande não cai”! Cai, sim. Pior: foram bi rebaixados, no Brasil e na Suíça…

O dia seguinte das “desgraças” é terrível para quem não está festejando. Eu adoto uma tática: não escuto rádio, não leio jornal, não olho televisão. Esqueço que existe um esporte chamado futebol. Ou melhor, quase esqueço, porque “eles” impedem que isso aconteça: meu celular fica entupido de mensagens me fazendo lembrar que o futebol não acabou… Já, quando o tricolor joga uma decisão prefiro não olhar. Procuro um cinema, desligo do mundo e do celular, fico o tempo necessário para o jogo acabar. Quando o filme chega ao fim saio cabreiro, olhando para os lados, vendo qual a cor da camisa que está fazendo festa…

Estou conformado, o Grêmio não mereceu vencer, nosso goleiro defendeu duas cobranças e os batedores conseguiram errar três… Felizmente continuamos na Libertadores da América – outra batalha se avizinha. A mudança de cenário vai ficar por conta da revelação que uma cigana me fez: o Grêmio pentacampeão da Copa do Brasil vencerá a maior competição do futebol na América. No final do ano enfrentaremos o Real Madrid do Cristiano Ronaldo sendo observados (mais uma vez) por um pessoal residente na beira de um lago que está há vinte e cinco anos sem vencer Copa do Brasil… Certamente voltarão ao convício dos grandes, mas nunca mais dirão que clube grande não cai…

Amém!

 

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