ENTREVISTA: Policial federal Nívio Boelter Braz fala sobre seus 38 anos de dedicação à PF

 

Nesta sexta-feira, o Policial Federal Nívio Boelter Braz, Conselheiro Fiscal do SINPEF/RS, será agraciado com a Medalha da 55ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A honraria, proposta pelo deputado estadual Capitão Macedo (PSL), será entregue em cerimônia às 11 horas da manhã, no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia.

Nesta entrevista, Nívio fala sobre sua trajetória de 38 anos na Polícia Federal, sobre o que mudou ao longo desses anos, os momentos marcantes de sua vida profissional, entre outras abordagens:

Após 38 anos de dedicação à Polícia Federal, como você avalia o papel do DPF no combate à corrupção e no enfrentamento ao crime organizado?

PF Nívio Braz: A Polícia Federal é indispensável tanto na atuação direta como na formação de metodologias de investigação. Todas as técnicas de investigações mais modernas tiveram início na Polícia Federal e posteriormente foram também aplicadas em outras instituições. Outra questão primordial no combate ao crime organizado é a liberdade de investigar que a Polícia Federal tem e também a sua interligação com outros países. Não vejo como combater a corrupção organizada sem uma Polícia Federal forte e atuante.

O que mudou na Instituição ao longo dessas três décadas?

PF Nívio Braz: Seguramente a modernização tecnológica e o nível de formação intelectual do pessoal, com o advento do nível superior para ingresso. Infelizmente a redução do pessoal foi o ponto negativo (temos hoje menos Agentes do que há 38 anos).

Quais os momentos mais marcantes da sua trajetória como policial federal?

PF Nívio Braz: Foram tantos, desde o início na Academia, a posse, o primeiro dia, as operações na selva amazônica, nos garimpos, áreas indígenas, operações aéreas e nos leitos dos rios, as centenas de operações policiais que coordenei e estive na linha de frente, aquelas operações de inteligência com meses de trabalho, noites sem dormir; os colegas que partiram, etc. Foram 38 anos de trabalho intenso e gratificante, sempre na parte operacional, com muita adrenalina. Não tem como salientar momentos marcantes pois teríamos que ficar muitas horas falando sobre eles. O convívio com policiais de verdade talvez tenham sido os momentos mais marcantes.

Qual o conselho que você daria para um policial federal que está ingressando hoje no DPF?

PF Nívio Braz: Trabalhe com dedicação como se estivesse trabalhando na sua própria empresa, dedique sua vida a ela, e não como apenas um ocupante transitório de um cargo público em busca de um salário melhor. Polícia não é emprego público, é um sacerdócio e assim deve ser encarado. Se você agir assim, certamente quando chegar a hora de parar terá a satisfação do dever cumprido e sentido para sua vida. Mas se você encarar a função apenas como um ganha pão, sentirá remorso por não ter feito algo mais, e aí será tarde e você será apenas mais um que passou por ali, e logo será esquecido.

Como sindicalista que participa do movimento sindical dos policiais federais desde o seu surgimento, como você vê a importância do SINPEF/RS?

PF Nívio Braz: O movimento sindical, e muito em especial o SINPEF/RS, surgiu nas lutas por melhores condições e, sem dúvida alguma, se temos hoje algo melhor no que se refere a condições de trabalho e salários, TUDO se deve ao nosso SINPEF e ao movimento sindical nacional, pois todas as melhorias só vieram depois de muitas lutas, e nunca por iniciativa dos governos ou de nossa administração.

Frente aos altos índices de criminalidade, o que deve ser priorizado para uma mudança estrutural da Segurança Pública?

PF Nívio Braz: Sem sobra de dúvidas é a mudança do modelo arcaico e ultrapassado de fazer polícia no Brasil; um modelo centralizador em uma função desnecessária que é a figura do Delegado de Polícia, na forma como é hoje, como uma autoridade intermediária entre o trabalho policial e a Ação Penal, totalmente sem sentido. O modelo centralizado no Inquérito Policial é falido e não satisfaz as necessidades da população, com um baixo índice de solução dos crimes, principalmente por sua forma cartorária, burocrática e com formalidades inúteis. Um simples inquérito motivado por uma cédula falsa pode levar até um ano para ser concluído, quando um mês já seria demasiado.

Temos que buscar a solução no tripé POLÍCIA ÚNICA – CARGO ÚNICO – CICLO COMPLETO DE POLÍCIA. Unificar as polícia estaduais; ingresso na carreira policial sempre pela base com progressão pela meritocracia; e copiar a forma do CICLO COMPLETO de POLÍCIA utilizado na grande maioria dos países do mundo desenvolvido, ou seja, o primeiro policial a chegar na cena do crime será o responsável pela condução das investigações até a sua entrega ao titular da Ação Penal.

 

Clique aqui e leia mais sobre Nívio Boelter Braz.

 

O SINPEF/RS convida os servidores da PF/RS para prestigiarem essa homenagem, em reconhecimento à trajetória e ao profissionalismo do APF Nívio Braz:

 

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