Nos últimos cinco anos — de 2014 até agora —, foram 41 policiais militares e civis mortos no Rio Grande do Sul, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), obtidos por GaúchaZH via Lei de Acesso à Informação (LAI). Destes, 38 envolvem profissionais da Brigada Militar (BM), como os soldados Seixas e Feijó, integrantes do 19º Batalhão de Polícia Militar (19ºBPM), vítimas do caso mais recente deste tipo de crime.

BM / divulgação
Marcelo e Rodrigo foram vítimas em confronto com criminososBM / divulgação

Os dois faziam uma abordagem em uma viela chamada Beco da Bruxinha, conhecido ponto de tráfico de drogas. Ao avistarem dois homens fugindo, passaram a persegui-los até serem atingidos por tiros de .38 e não resistirem.

A dupla, no entanto, não é exceção. Desde 2014, foram registradas 14 mortes em decorrência de confrontos recentes de confrontos entre policiais e criminosos.

A abordagem — “trabalho anônimo e de extremo risco”, como define o comandante da BM, Mario Ikeda — precede a maioria dos casos de confrontos. Há um ano, em 6 junho de 2018, um episódio quase antecedeu a ocorrência desta quarta-feira da mesma forma. Um soldado do 19º foi baleado durante uma abordagem a dois homens na Rua Paulino Azurenha (mesma rua do crime cometido nesta quarta), por volta das 4h. Ele foi ferido de raspão em um dos braços e levado sem risco para o hospital.

Fabiano Heck Lunkes, 34 anos, foi atingido por um disparo de fuzil enquanto participava do cerco a uma quadrilha que atacou uma agência bancária em Porto Xavier, em um matagal no interior do município. Ele deixou a esposa e um filho de quatro anos. À época, um amigo de infância do soldado afirmou:

— As pessoas precisam saber que ele era um cara que batalhou, colocou a vida dele em troca de salvar muitas pessoas. Que as virtudes dele e coragem não sejam em vão.

Nesta quarta-feira, após o registro do 40ª e 41ª vítimas, o comandante-geral da Brigada confirmou a interpretação que norteia a estatística:

— Mesmo com o risco da própria vida, que é o juramento que fazem quando entram na Brigada e não é uma retórica, esses policiais militares cumprindo seu dever acabaram lamentavelmente vitimados — avaliou Ikeda.


Vítimas de 2014 a 2019

Policiais militares

  • 2014: 5
  • 2015: 11
  • 2016: 11
  • 2017: 5
  • 2018: 2
  • 2019: 4

Total: 38

Policiais civis

  • 2015: 1
  • 2017: 1
  • 2018: 1

Total: 3

 

Fonte: Gaúcha ZH