Eles só têm medo de algemas… – Por: Valacir M. Gonçalves

Coluna do ValaQuando observo a celeuma sobre o uso de algemas, não consigo deixar de comparar essa discussão com os dramalhões exibidos pelas emissoras de televisão. As novelas, diferentes dos noticiários, são escritas por especialistas que usam seus talentos para prender a atenção do espectador. Antes da novela, porém, é oferecida outra atração. Noticiários mostram, com hora marcada, a vida como ela é nos dias tristes que vivemos – um desfile diário de todo tipo de assalto aos cofres públicos e de corrupção generalizada, a falta de escrúpulos impressiona. Os personagens não são astros televisivos, mas chamam atenção.

Mas o assunto da moda é o uso de algemas num ex-governador, as opiniões estão divididas. Entre os menos favorecidos, há quase uma unanimidade em favor do uso das mesmas, já, entre grande parte dos ricos e influentes, há uma revolta. Eles não imaginaram que um dia esse distante e estranho objeto (para eles) seria usado em pulsos acostumados a pulseiras mais nobres… Há por parte deles uma indignação contra a polícia que algemou o ex-governador, criminoso descarado que saqueou o Rio de Janeiro, quase falindo o estado: – Como podem usar algemas para conduzir pessoas como ele, é uma desumanidade.

De vários lugares, tomei conhecimento de sugestões de policiais que sonham em ver resolvido esse problema inquietante para a classe, pois algemas e polícias não podem viver distantes, são como irmãs siamesas em qualquer parte do mundo. No nosso país, entretanto, “cirurgiões” que não entendem do assunto estão querendo separá-las… É algo perigoso essa separação, ela pode virar tragédia caso uma delas desapareça.

Estou tentando montar um “Manual de Conduta” que pode atender os que ficam com pena de bandidos algemados – será considerada falta grave o uso de algemas em presos ricos. Retornará a velha forma que os pais e professores conduziam os infratores – pela orelha, mas apenas um policial, em somente umas das orelhas… Comentam alguns que pais estão conduzindo filhos fujões pela coleira e guias nas praias e passeios. Se é permitido em crianças, poderiam permitir para adultos, também. Mas atenção: aos pobres em geral, algemas em dobro. Serão utilizadas, por medida de economia, aquelas que sobram dos ricos.

Foi impossível não recordar uma crônica escrita pelo Augusto Nunes há bastante tempo – tive a impressão de que ela tinha sido escrita ontem. Disse ele: “A turma que tudo se permite só não admite ser algemada. Com os braços provisoriamente imobilizados, ladrões patológicos incorporam a figura do chefe de família respeitável: o que é que vou dizer lá em casa? parece perguntar a expressão envergonhada. Não é possível tratar como criminoso comum um delinquente da classe executiva, berram advogados e padrinhos. Não há limites para a roubalheira, mas é preciso impor limites às ações da Polícia Federal.

O berreiro dos culpados revela que eles só têm medo de algemas. Bom saber. Já que argolas de metal são a única coisa capaz de reavivar o sentimento da vergonha, já se sabe o que fazer para produzir os mesmos efeitos causados pelo velho e infalível “Olha o rapa!”. Basta que os brasileiros honestos, sempre que toparem com qualquer integrante da multidão de assaltantes, gritem a palavra-de-ordem medonha: algemas para todos”!

Digo eu: Amém!

 

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