Comemoração? – Tributo e lamento ao policial federal

Por: Josias Fernandes Alves

 

Há um ano o agente federal e diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Policiais Federais, Josias Fernandes, há 16 anos na Polícia Federal, publicava um artigo no site da Fenapef sobre o Dia do Policial Federal. O texto falava sobre o desanimo da categoria dentro do DPF e a luta por uma carreira justa e por melhores condições de trabalho. Passados 365 dias pouca coisa mudou no cotidiano dos policiais, que continuam a lutar por um DPF diferente e por uma segurança pública de qualidade para todos os brasileiros.

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No Dia do Policial Federal, instituído em 2004 por decreto presidencial e comemorado em 16 de novembro, sentimentos antagônicos o assola. Certamente, o mesmo drama que aflige a maioria dos profissionais da segurança pública em nosso País.

De um lado, o orgulho e a sensação de dever cumprido, pelo reconhecimento do trabalho da Polícia Federal pela sociedade brasileira, como mostram as últimas pesquisas de opinião pública.

Modéstia à parte, a dedicação e coragem no enfrentamento de quadrilhas armadas de traficantes, contrabandistas e assaltantes, nas fronteiras e regiões inóspitas ou morros das grandes metrópoles, tornam o policial federal merecedor da homenagem. Também por sua ousadia e determinação nas investigações de organizações de criminosos do colarinho branco e corruptos de alta linhagem.

Por outro lado, é abatido pelo desânimo ao perceber que a lei não é igual para todos e que a cadeia não foi feita para ricos. Que o seu trabalho, muitas vezes, é em vão, porque alguns sábios passaram a invocar a justiça em nome da impunidade dos poderosos. E que o uso seletivo das algemas tornou-se regra para os que se julgam acima da lei.

De um lado, policiais federais que tombaram no cumprimento do dever – como Klaus, Lobo, Matsunaga, Moura, Simões e tantos outros – são reverenciados na galeria de heróis, ainda que para órfãos e viúvas tais honrarias façam pouco sentido.

De outro, o policial federal clama por melhores condições de trabalho, por uma carreira profissional, por critérios transparentes nas remoções, viagens e cursos, pelo fim dos privilégios e pela avaliação com critérios fundados no mérito, competência e comprometimento profissionais.

Na linha de frente contra o crime, o policial federal também luta contra a burocracia, o carreirismo, os privilégios, o assédio moral, a arrogância e o autoritarismo daqueles que pretendem administrar com métodos arcaicos, de tempos que já se foram.

Para não virar apenas mais um tira de papel, entre as tantas pilhas de crimes prescritos, o cidadão policial federal ousa pensar diferente, propor, criticar e sonhar com um modelo de investigação mais eficiente e produtivo, menos personalizado e centrado na figura de poucos, em detrimento do reconhecimento do trabalho em equipe.

Neste dia festivo, o policial federal agradece as deferências, mas também lamenta. Porque tem plena consciência na sua capacidade e dever de contribuir mais para maior segurança e melhor prestação de serviço ao povo brasileiro. Porque esta é a sua razão de ser.

Josias Fernandes Alves é policial federal há 16 anos. Formado em Direito e Jornalismo, é diretor da Fenapef. Josias Fernandes@hotmail.com

 

Fonte: Agência Fenapef

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