APF Bruno Requião faz palestra sobre aplicação da teoria das redes no combate ao crime organizado

Foto: Gustavo Diehl/Arquivo SECOMFoto: Gustavo Diehl/Arquivo SECOM

Foi realizada no dia 20 de abril,  mais uma edição do Ciclo de Palestras do Instituto de Física da UFRGS, no  Auditório do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), quando o doutorando Bruno Requião da Cunha, Agente de Polícia Federal, apresentou suas pesquisas sobre uso da teoria das redes na compreensão e no combate ao crime organizado.

A pesquisa sobre a física das redes de crime organizado parte do entendimento de que a ciência de redes é um tópico que surgiu dentro da física estatística e da matemática discreta e vem atraindo muita atenção de uma gama enorme de disciplinas com aplicações práticas em quase todos os campos do conhecimento. No encontro, foi explorado como esse novo paradigma colabora no entendimento dessas redes e no seu combate.

Segundo Agente de Polícia Federal Bruno Requião: “A ideia foi basicamente mostrar que nem sempre os cabeças de uma organização criminosa são os mais importantes. Em muitos casos, os elos fracos são os responsáveis por manter grupos criminosos coesos. Tratam-se de pessoas pouco conectadas, mas que ligam grandes aglomerados de pessoas distantes entre si, servindo como uma verdadeira cola social que estrutura não só redes criminais, mas todo tipo de rede social. Podem ser doleiros, contadores, advogados etc. Exemplo típico foi a lava-jato que começou com pessoas que prestavam “serviços” para vários núcleos da organização criminosa. Se mudarmos então o foco da investigação criminal dos cabeças para esses “elos fracos”, teremos em tese uma diminuição tremenda nos índices de criminalidade”.

O palestrante

Bruno Requião Da Cunha – é aluno de Doutorado em Física na UFRGS com interesse de pesquisa focado em teoria de redes aplicada e física estatística. Também é Agente da Polícia Federal desde 2009 e tem experiência em investigações de combate ao crime organizado. Bacharel em Física pela UFRGS (2002) e Mestre em Física pela UNICAMP (2006), Bruno é membro da Associação Internacional de Analistas de Inteligência em Segurança Pública desde 2014.

 

Menção ao trabalho do APF Bruno Requião em colula do Jornalista Tulio Milman, no Jornal Zero Hora, no dia 21.04:

Ciência exata 1

A física no combate ao crime. Esse é foco de um estudo elaborado pelo doutorando da UFRGS e agente da Polícia Federal Bruno da Cunha.

Usando fórmulas matemáticas e um modelo físico conhecido como teoria de redes, ele chegou a uma conclusão surpreendente: em vez de investir esforços na prisão dos líderes, o mais eficiente seria interceptar pessoas com menor poder de decisão, mas com habilidade de conectar diferentes facções e grupos.

A Lava-Jato comprova a tese: tudo começou com a prisão de doleiros.

Ciência exata 2
Para Bruno Cunha, a polícia deveria investir mais energia em mapear os organogramas em cada estrutura criminosa. E atacar os pontos de comunicação entre as redes internas e externas.

A fragmentação e isolamento seria a melhor forma de enfraquecê-las.

Em breve, algoritmos serão capazes de orientar o trabalho de agentes para impedir a formação de gangues e quadrilhas.

 

 

Fonte: Portal UFRGS com SINPEF/RS

 

 

 


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