Acreditar em bolão da mega é “fortunofobia”… Por: Valacir Gonçalves

Sou daqueles que entra numa fila de olho nas outras. Nestes momentos algo acontece sempre: a minha fila não anda. Já a que desprezei corre célere, o cara do lado chega antes, invariavelmente… Desolado, vejo “meu adversário” afastando-se, enquanto eu permaneço imóvel. No trânsito é a mesma coisa. Estou sempre na fila errada olhando os carros passando como bólidos. Quando resolvo trocar a opção, acontece o que vocês estão imaginando: imediatamente a fila desprezada começa a andar. Descobri agora algo que eu desconhecia: a guerra que insisto em manter com as filas chama-se “Agmenofobia”. Sou agmenofóbico e não sabia…

Tem mais: quando saio de casa, uma dúvida terrível me atormenta: será que desliguei todos os aparelhos elétricos e eletrônicos? Num dia desses, debaixo de um temporal e com inúmeros compromissos a cumprir, tomei a decisão de voltar. Tinha “certeza” de que tinha deixado o ar condicionado ligado. Logo o ar, um campeão de consumo… Vou ter que voltar – disse pra mim mesmo -, certamente aquele infeliz vai gastar energia equivalente a uma semana inteira. Voltei indignado, mas com a certeza de que era uma providência inadiável, necessária. Adivinhem? O ar estava desligado e eu olhando pra ele com um misto de alívio e revolta. Isso também tem nome, chama-se “Vaporfobia”. Pasmem: além de agmenofóbico, sou vaporfóbico…

Depois dessas descobertas, puxei pela memória para lembrar de outras manias que eu achava normais. Lembrei: que me convenceram a entrar num tal “bolão da mega”. Não gosto de jogar, mas acabei aceitando. Com vários jogando, a possibilidade aumenta muito – me tentaram… Calcularam o valor e informaram quanto eu deveria pagar “toda semana”. Hoje estou convencido de que, se tivesse colocado na poupança o dinheiro gasto, já teria comprado um carro popular ou passado uns dias em Paris desfrutando de todos os prazeres que a cidade oferece. Mas o débito na minha conta continua sagrado tal qual a vontade de desistir. O receio de continuar pobre enquanto os companheiros desfrutam a bolada é terrível… Isso tem nome, é a Fortunofobia. Isso mesmo: sou também um fortunofóbico…

Lembrei também de um outro hábito. Acho que não tem nome, mas deveria ter. Que nome dariam para ele? Domingo maravilhoso, temperatura agradável, e vários programas para escolher. Decidi ir a um jogo de futebol. Paguei quarenta reais pelo estacionamento. Fui explorado (também) para matar a sede, ir ao banheiro foi uma tarefa quase impossível, além de um senta/levanta enlouquecedor. Perdi o domingo, meu time jogou mal justamente no dia que decidi prestigiá-lo. Saí triste, desolado, escutando os foguetes disparados pelos “inimigos”, enquanto eu sofria por uma bobagem chamada futebol… A revista não disse como se chama esse ato. Deve ser Otariofobia…

Concluindo: Agmenofobia, Vaporfobia, Fortunofobia, Otariofobia são todas palavras usadas para tentar definir ações dos seres humanos. Somos assim, continuaremos assim. Estou cada vez mais convencido de que a frase dita por aquele personagem famoso é uma grande verdade: de perto, ninguém é normal…

Amém!

 

e-mail vala1@uol.com.br

blog www.valacir.com

Temas .

 


Deseja comentar esta notícia? Autentique-se para postar um comentário. Efetue seu login aqui »

Ir para o topo da páginaIr para o topo da página