A Polícia Federal faz muito. Mas poderia fazer ainda mais – Por: Luís Antônio Boudens*

O ano de 2020 foi, sem dúvida nenhuma, um ano de desafios. Para alguns, o desafio foi ainda maior. Enquanto o mundo se trancou em quarentena, profissionais que não puderam parar arriscaram as vidas na linha de frente do combate ao vírus. As forças de segurança estão entre elas. Desde que apareceram os primeiros casos de Covid-19 e foi decretado o fechamento de diversos segmentos no Brasil, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) tem trabalhado junto à Direção-Geral da Polícia Federal para tentar manter os policiais federais seguros e, ao mesmo tempo, não deixar a população desassistida. Por ser um serviço essencial, e estar na linha de frente da segurança pública brasileira, a Polícia Federal não pode parar.

Os policiais federais nunca se furtaram à sua responsabilidade. As operações jamais foram paralisadas. Foi o esforço de cada um que garantiu o fechamento de vários “ralos”, por onde escoam recursos que deveriam justamente ser usados para o enfrentamento à pandemia.

Houve também recorde de apreensões de drogas, captura de acusados por tráfico de armas, apuração sobre queimadas e muito trabalho de investigação. Também não pararam os serviços de controle de portos e aeroportos, as ações de controle e fiscalização de empresas de segurança privada, nem as perícias.

Mais do que atuar como agentes de segurança pública, os policiais federais atuaram como cidadãos no combate à pandemia.

A Fenapef, que representa a grande maioria dos policiais federais brasileiros, defende a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional n° 168/2019, a PEC da Eficiência, uma iniciativa da entidade, que foi apresentada pelo deputado Aluísio Mendes (PSC-MA).

O texto propõe a alteração do parágrafo 1º do artigo 144 da Constituição, que trata da organização da Polícia Federal e a criação de uma estrutura mais moderna e eficiente, com entrada única na corporação pela base da carreira, valorizando a competência, a dedicação e a formação profissional dos policiais federais, ou seja, a meritocracia. Também prevê economia para a estrutura da corporação e coloca a PF entre as forças policiais mais modernas do mundo, ao defender o ciclo completo da atividade policial.

O ciclo completo permitirá que o policial que chegar primeiro ao local do fato criminoso possa dar início à investigação. É ele quem irá delimitar o perímetro, ouvindo testemunhas, vítimas e autores. Esse primeiro policial vai, depois, trabalhar em conjunto com peritos e outros profissionais, finalizando a apuração do “evento criminoso” com as devidas prisões e apreensões, caso sejam necessárias. Irá, também, elaborar o relatório e encaminhar toda a documentação ao juiz competente e ao órgão do Ministério Público. Tudo com mais agilidade e sem a burocracia atual, que obriga a registrar a ocorrência numa delegacia (exceto em casos muito específicos).

*LUÍS ANTÔNIO BOUDENS
Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e agente de PF
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