A nostalgia chega junto com dezembro… – Por: Valacir Gonçalves

Apesar da pandemia, o espírito natalino começa a tomar conta da cidade misturado à nostalgia. Hoje estas coisas não têm a mesma importância de antes – “já eram”, dizem alguns… Tento me adaptar embora seja difícil admitir afetos virtuais substituindo os de verdade. Mais: faz tempo que sinto falta da “Missa do Galo”, ela nos fazia refletir sobre o que fizemos durante o ano, nos lembrava de vitórias, derrotas, do que passou, do que poderia vir… Penso nisso e me dou conta de que o Natal já estava mudado, a pandemia apenas reforçou o sentimento.

Saudosismo não traz passado de volta – nem quero, mas é difícil esquecer fatos, pessoas e personagens que fizeram nossas vidas felizes. Por isso, relembro tudo dialogando com quem “me escuta” com paciência e atenção – eu mesmo… Divido lembranças, guardo estórias que não pretendo descartar, que me encheram de felicidade juntamente com outras que quase acabaram comigo. Elas estão guardadas num coração protegido por seguranças armados de respeito e ternura por tudo que já vivi.
O comércio lembra a todo momento que o Natal é tempo de presentes – lembrar o aniversariante do dia só se sobrar tempo… Somos avisados também pelos amigos, pelo pessoal que recolhe lixo, pela turma que cuida do gás. Não podemos esquecer ainda de quem nos entrega jornal, do cara da pizza, da faxineira, do flanelinha, e até do “artista” do semáforo – aquele cara que “come” fogo…
Volto à nostalgia, lembro que esperava o papai Noel com ansiedade. A missa lotava a igreja, aguardávamos o fim da celebração pensando no pedido… A ceia era sagrada mesmo, ninguém viajava antes; as comidas da época estão fora de moda, sei, mas quase sinto o cheiro delas nas ceias de hoje. Recordar essas coisas me faz bem, principalmente lembrar de gente que partiu, da maneira que eles me abraçavam. Na minha cidade (fronteira com o Uruguai) as locomotivas “buzinavam” com força, competiam com o espocar dos foguetes. Tudo passou, só a esperança de dias melhores continua a mesma, nunca vai mudar.
É mais um Natal que merecemos, e também outro ano começará. Somos sobreviventes de uma pandemia, testemunhas (atônitas) da tragédia que fez o mundo se reinventar, tomara que seja para melhor.
Amanhã será sempre, com certeza, o primeiro dia do resto das nossas vidas…

Amém!

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