A cadeira de balanço e o “site das confissões”… – Por: Valacir M. Gonçalves

Olhando para trás, dei-me conta de que o tempo passou como um raio, a aposentadoria e a velhice que pareciam distantes bateram na porta sem cerimônia. Tinha receio disso, não conseguia me imaginar numa cadeira de balanço vendo a vida como espectador… Foi inevitável, felizmente ainda não precisei da cadeira… Continuo trabalhando, assistindo a filmes, jogando meu tênis sofrível, e viajando semanalmente pra Serra. Agora a leitura preenche o tempo que sobra, sou um leitor voraz. Leio jornais, passo para as revistas até chegar aos livros. Quando o assunto acaba, me socorro do computador, vou procurar confusão com petralhas e colorados – agora menos, dei um tempo na política, ficou insuportável aturar a batalha entre ladrões e malucos, estava me fazendo mal…

Num dia desses, estava “navegando” despreocupadamente quando tomei conhecimento do “Site das Confissões”, um lugar onde todo tipo de gente faz todo tipo de confissão… A gente sabe, mas como existe gente que faz coisa errada, como é grande a quantidade de canalhas e traíras no mundo… Com poucos minutos de leitura cheguei à conclusão de que mesmo eles precisam aliviar suas consciências de alguma forma… Não estou fazendo qualquer tipo de sugestão, mas quem estiver interessado pode acessar o “euconfessopontocom”. Diz a propaganda que é o único local onde podem ser feitos todos os tipos de confissão em total anonimato, inclusive aquelas terríveis…

Na Internet existem, também, os que fazem listas de coisas que gostariam de fazer antes de morrer. Leio sempre, embora não pretenda imitá-los. Elas são extensas, relacionam desde as coisas mais simples até as mais complexas. Através delas tomei conhecimento de um personagem que quer contemplar o mundo do alto das pirâmides até outros que gostariam de tomar um café num fim de tarde em Paris para tentar entender os mistérios da vida, gente humilde… Existem também os que querem fazer um safári na África e alguns que gostariam de conhecer o Rio de Janeiro ciceroneados pela Paola de Oliveira…

Esse tipo de lista não me cativa, desejos mirabolantes ou foras da realidade quase sempre morrem com seus idealizadores… Mas descobri que começa a aparecer outro tipo de lista. Nesta, as pessoas preferem anotar as coisas que não farão antes de morrer… A ideia me agrada… A lista anterior sempre me pareceu utópica… Já, a nova, depende só de mim, da minha determinação, certamente terei mais chances de atingir o objetivo. Comecei a pensar sobre ela, foram muitas as ideias.

Começo com o futebol. Jamais vou torcer pro Flamengo, mesmo que eles joguem uma final de mundial contra um time da Argentina treinado pelo Maradona… Jamais vou votar em gente que promete fazer coisas nunca antes feitas neste Brasil amado… Não vou escutar programas eleitorais com os malditos demagogos vomitando a mentiras de sempre. Também não voltarei a comer tacacá ou buchada de bode (já cometi esse sacrilégio). Esse acordo fiz com alguém que preso muito – o meu estômago, ele está comigo há muito, merece o meu respeito…

Existem muitas outras que não farei. Continuarei me negando a admitir que “dejota” é artista, e a escutar funk e rap – Sinatra, Cartola, Charlie Parker, Jobim, Chet Baker, Nelson Cavaquinho, Cazuza e tantos outros não podem ser traídos por mim… Também jamais vou deixar de tentar aprender outra língua, mesmo que o português seja uma língua “fácil” como explicou um sábio da praça dizendo que, aqui, cadeira é cadeira, pedra é pedra… Não voltarei, também, a tentar correr uma maratona. Minha última proeza foi percorrer dez quilômetros e quase morrer…

Finalmente, digo que estou em paz com minha idade e a aposentadoria. Convivo bem com elas, fazem parte da minha história. A leitura de jornais, revistas e livros me faz muito bem. Mas o computador e a Internet foram fundamentais, eles me livraram da cadeira de balanço – felizmente.

Amém!

 

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blog www.valacir.com

 

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